domingo, 27 de novembro de 2011

Pedro: a origem e a pessoa

Nasceu em Bethsaida, uma cidadezinha às margens do Genesaré. Beth: casa, lugar. Sayda: pesca, pescaria. É amaldiçoada por Jesus (Mt 11,21; Lc 10,13) por causa da incredulidade do povo. Foi local da cura de um cego (Mc 8,22). Situa-se mais ou menos a 3 Km de Genesaré (norte).

O nome de Simão deriva da raiz hebraica yashām. Ela significa estar desolado, estar em ruínas, deserto. Em Dt 32,10, Deus achou o povo numa região desolada, desértica e cuidou dele. Isso poderia explicar a mudança de nome para Pedro.

Kephas (rocha) é aramaico e só aparece em Jo 1,42. Pedro é a forma que o grego achou para traduzir rocha. São Paulo gosta de chamar Pedro por esse nome (1Cor 3,22; 9,5; Gl 2,9.11).

Dos passos duvidosos aos passos da fé

1. Os passos duvidosos

- Mt 16, 22-23 – Pedra de tropeço;

- 14,28 – caminho sobre as águas;

- 19,27 – deixamos tudo e te seguimos;

- Mc 14,29-30 – eu não me escandalizarei;

- 14,37 – dormindo e não orando;

- Lc 9,32 – sono no Tabor;

- 22,31-32 – Simão, orei por ti!

Jo 13,6-9 - Pedro resistente como pedra

Este texto é um exemplo de como Pedro passa de um extremo a outro no seguimento de Jesus.

v.6.: chama a Jesus de Senhor (título): superioridade em contraste com o lavar (serviço inferior). Os outros discípulos aceitam o gesto, ele não. Demonstra desaprovação. Bo messias deve assentar-se no trono e não lavar os pés.

v.7. Jesus não estranha sua atitude porque conhece os que escolheu (13,18). Mostra que ele e o Pai amam não só com palavras, mas com atitudes. A expressão “compreenderás mais tarde” introduz a cena final do evangelho.

v.8. recusa absoluta (jamais). Não aceita o gesto porque não está disposto a configurar-se a ele. Depois da mudança de nome (1,43-44) é a 1a vez que o evangelista o chama pelo sobrenome, somente. Parece querer esboçar o significado do nome.

v.9. acontece um contraste: a adesão completa de Pedro. No gesto de Jesus ele faz uso extremo das mãos e dá para imaginar como reclina a cabeça.

A cabeça: no hebraico é quase sempre a indicação de um chefe. O Gn 1 começa com esta palavra. O serviço de Jesus inclui uma coroa (19,2); inclina a cabeça na morte (19,30); o gólgota é o lugar da caveira; há um pano à parte na ressurreição, o que estivera sobre a cabeça (20,7).

As mãos: o Pai coloca tudo nas mãos de Jesus (3,35; 13,3); mãos de Lázaro atadas pela morte (c.11); Jesus mostra as mãos e o lado, seu serviço na morte (20,20); Jesus diz a Pedro (21,8);

Jo 21,7 - A última cena

A presença de Jesus é reconhecida pelos discípulos na abundância da pesca. A experiência do amor de Jesus é a chave de leitura dos seus sinais. O discípulo amado reconhece. De novo aparece somente o sobrenome de Pedro. Aparece isolado. Parece não ter dado, ainda, o passo definitivo da fé aceitando o serviço de morte de Jesus.

A câmera passa do discípulo amado para o rosto de Pedro realçando o que acontecerá depois, o seu gesto. A imagem seguinte é simbólica e densa:

Jogo Veste – desnudez - lançar-se à água

- Desvestir de roupas velhas (filho pródigo)

- Vestes em Jo só aparecem em 13; 19 (vestes de Jesus) e 21,7 (veste de Pedro);

- Atar à cintura (cingir-se 13,4-5);

- Agora compreende. Agora é o “algum tempo depois” (21,1);

- Ele é o único a atirar-se na água. É sua reconciliação.

- Os textos seguintes confirmam sua definitiva aceitação ao projeto de Jesus.

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