quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sabedoria


Os principais temas da Literatura de Sabedoria[1]


hm'k.x' (hokmâ): 13 vezes em Jó;17 nos Provérbios;12 no Eclesiastes. Pode significar inteligência, talento, perspicácia, agudeza, engenho, saber, sabedoria, cultura, erudição; também é aplicada à sensatez, juízo, razão, sentido; assim como a habilidade, destreza, manha, experiência, método, perícia; também se aplica a prudência, ponderação, tino, tato, acerto e, por último, a instinto. É traduzida para o grego como sofi,a (sofia).


A evolução da sabedoria: no período profético a sabedoria tem uma conotação não religiosa. Israel era consciente de que a sua cultura estava ligada às nações circunvizinhas. O Egito teve uma literatura de Sabedoria própria. A sabedoria era, então, uma qualidade pagã[2] e isso mereceu denúncia [3]. Certamente era este o tempo em que Israel estava empreendendo forças para adquirir uma cultura própria, e não há nenhuma razão para questionar se Salomão tinha dado a isto um estímulo poderoso[4]. Assim, não importa quanto material pode ter sido recolhido durante este período, é no pós-exílio que a formação de um corpo de literatura de Sabedoria associou-se à religião de Israel[5]. A Bíblia herda alguns testemunhos estrangeiros (Pr 30 e 31)[6].


As fontes da sabedoria em Israel: aprendida na convivência diária, driblando os perigos e aproveitando as ocasiões, descobrindo o valor das coisas, os sentidos dos acontecimentos e da vida. Os ditos populares tomam corpo; são ditados que o povo sabe apreciar e conservar: as sentenças e os provérbios.[7] Com o passar do tempo, o dito popular e primitivo torna-se sentença mais estilizada e culta (p.ex. o Livro dos Provérbios).[8] Toda a sabedoria funda suas raízes na vida experimentada dos povos.



[1] Os livros: Provérbios, Salmos, Jó, Eclesiástico, Eclesiastes, Sabedoria e Cântico dos Cânticos.

[2] Cf Is 10,13; 19,12; 47,10; Ez 28,3-5; Zc 9,2; Jr 49,7; Ab 1,8; Br 3,22-23.

[3] Cf. Is 5,21; 29,14; Jr 4,22; 9,23; 18,18, etc.

[4] Cf. IRs 4,29-34.

[5] Cf. Bíblia de Jerusalém. Introdução aos Livros sapienciais. “Não é de se admirar se as primeiras obras sapienciais de Israel se pareçam tanto com as de seus vizinhos: todas elas provém do mesmo ambiente. As partes mais antigas dos Provérbios não apresentam senão preceitos de sabedoria humana. Se excetuarmos Eclo e Sb, que são os mais recentes, os livros sapienciais não abordam os grandes temas do AT: Lei, Aliança., Eleição, Salvação (...) A verdadeira sabedoria é, com efeito, o temor de Deus, e o temor de Deus é a piedade. Se a sabedoria oriental é um humanismo, poder-se-ia dizer que a sabedoria de Israel é um humanismo devoto.”

[6] Cf. nota da BÍBLIA DE JERUSALÉM sobre Pr 31,1. “Massá é o nome de uma tribo ismaelita do norte da Arábia (Gn 25,14). A sabedoria dos filhos do Oriente (Nm 24,21ss) era famosa.

[7] Cf. Jr 23,28; 31,29; Ez 18,2; 16,44.

[8] O lar como lugar de desenvolvimento do indivíduo, lugar de aprendizado da sabedoria; a escola como, cultivo dessa sabedoria, era instituição real que, já no terceiro milênio funcionavam em toda a região da Mesopotâmia e Egito. Floresciam especialmente no tempo de Salomão e do rei Ezequias (Pr 25,1). R.E. CLEMENTS, O Mundo do Antigo Israel, 226-227. “Lemaire dirigiu sua atenção para o papel da escola na composição dos livros sapienciais. Para ele, toda a literatura – enquanto distinta de meramente efêmera – no Oriente próximo era copiada e transmitida em escolas de escribas, e toda literatura sapiencial era composta como livro de textos em escolas. Portanto, é indiscutível que a primitiva literatura sapiencial de Israel foi composta nas escolas reais. Depois do exílio proliferaram escolas em Israel e podiam se encontrar não só em Jerusalém e outras cidades, mas também em vilarejos; e foi em instituições deste tipo (isto é, nestas instituições de alto aprendizado com especial interesse no assunto) que ocorreu a composição dos livros sapienciais.”

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