sábado, 26 de julho de 2008

Tendências hermenêuticas na leitura da Bíblia na Alemanha


Anotações sobre a Conferência do Prof. Dr. Rainer Kessler (Goiânia – 08/09/2004)


O prof. Kessler trabalha, há algum tempo, com o olhar voltado para a América Latina. Na sua Conferência procurou levantar aspectos mais históricos do que propriamente apresentar um panorama da leitura bíblica na Alemanha. Começou salientando alguns aspectos dos Métodos Histórico Críticos. Na Alemanha, estes métodos vêm sendo praticados há mais de 200 anos. No início, no mundo protestante e depois no catolicismo. Na Alemanha a pergunta confessional, hoje, não tem lugar. No trabalho filológico, apontou os excessos de tentativas na datação de textos. Falou da esterilidade que pode apresentar esta dimensão do método.

Alguns problemas hermenêuticos: qual texto lemos quando lemos um texto bíblico? Lemos o que consta ou lemos um texto reconstruído? A reconstrução é idêntica ao texto? Os textos são materiais para a reconstrução de sua realidade. A tradicional pesquisa se interessa, especialmente, por um autor (coletivo, sequência de redatores, comunidade). As novas tendências estão mais interessadas no próprio texto e nos seus receptores. No método narrativo a análise não pergunta como a narração funciona. O que, no texto, chama a atenção do leitor e dos leitores? (dilúvio)

Na leitura canônica, pergunta-se pelas inter-relações (no centro estão os salmos e os profetas). Não entrando os textos de forma isolada, mas na sua relação. Uma questão que volta e meia aparece: não se consegue entender o AT sem o NT? Pergunta-se, então: os judeus não entendem sua Bíblia? Na verdade, a formulação deveria ser outra: não se entende bem o NT sem o AT!

Outro aspecto da leitura bíblica atual é o tom da intertextualidade, i.é., qualquer passagem da Bíblia pode ser interpretada à luz de outras passagens. Cada palavra tem relação com outras. Estas análises concordam em tomar o texto enquanto texto. Não se pergunta pelo autor ou pelo leitor. Quando se pergunta pelo leitor ou leitores toca-se a estética da recepção. O sentido de um texto não é construído somente pelo autor, mas pelo seu leitor. Algumas observações:


a) diálogo cristão-judaico: Israel mencionado nos textos é, primeiramente, Israel. Os povos não israelitas são, inclusive, os cristãos. Deste modo não se deve fazer – como muito se verifica – uma identificação do povo cristão com Israel nas coisas positivas da relação com Deus e não nas negativas;


b) Movimento de mulheres: o grito de muitos livros como: Rute, Cânticos e outros;


c) Interpretação histórico social: a teologia da libertação na América Latina repercutiu muito na Alemanha. Lá surgiram muitos artigos que tentavam demonstrar que os profetas não eram revolucionários e que Jesus não pretendia fazer nenhuma mudança social. Algumas outras cabeças, no entanto, pensaram e refletiram esta questão emergente da América e avaliaram sua contribuição para o estudo da Bíblia.

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