sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Agostinho novamente...

Outra particularidade da Carta 71, como mencionado, diz respeito a algumas observações que Agostinho faz de uma tradução de São Jerônimo do Livro de Jó. Ele diz o seguinte:

“Soube que havias traduzido do hebraico o livro de Jó, quando já tínhamos outra tradução tua do mesmo profeta, vertida do grego ao latim. Nesta, tinhas anotado com asteriscos as frases que haviam no hebraico e faltavam no grego. E com obeliscos, as que se encontravam no grego e faltavam no original hebraico.

"Era tão meticulosa a tua diligência que em alguns lugares há uma estrelinha em cada palavra, para indicar que tais palavras são em hebraico, mas não em grego.

“Por outro lado, na tua segunda tradução, vertida do hebraico, não se vê a mesma fidelidade nas palavras. Isto atrapalha não pouco ao que reflete: na primeira se colocam os asteriscos com a mais escrupulosa pontualidade para indicar até as mínimas partes da oração que faltavam nos códices gregos e se encontravam nos hebraicos; ao contrário, na segunda, direta do hebraico, há uma negligência na indicação de tais sinais.


“Não obstante, posto que teu talento é extraordinário, opino que entenderás de sobra não só o que digo como também o que quero dizer. Assim, tu explicarás o que me causa estranheza, expondo o motivo".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Resposta de São Jerônimo

[CARTA 72: JERÔNIMO A AGOSTINHO (ANO 403 ou 404)]


“Insistes em me mandar cartas e sem cessar me pedes que responda a uma certa carta tua, da qual me chegaram algumas cópias. Eu já escrevi e enviei por mãos do irmão e diácono Sisínio. Vieram sem a tua assinatura e, conforme me indicas, as enviaste primeiro pelo irmão Profuturo e depois não sei qual outro. Dizes que Profuturo interrompeu sua viagem por ter sido aclamado Bispo e logo arrebatado por uma morte veloz. Acrescentas que este outro, cujo nome não diz, teve medo do mar e mudou o rumo da navegação.

“Sendo assim,

[eu nunca vou ficar suficientemente maravilhado de que sejam muitos os que em Roma e na Itália tem a carta que me escreveste, segundo se diz, e ela só não chegou a mim para quem unicamente foi escrita.]


[A discussão ainda segue...]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Carta

CARTA 71: AGOSTINHO A JERÔNIMO (ANO 403)


No ano de 403, Santo Agostinho escreve uma carta a São Jerônimo, pedindo explicações sobre uma tradução que este fez do Livro de Jó. Interessa a abertura da carta e a impressão que as palavras do primeiro causam no segundo.

Agostinho escreve assim:

“Desde que comecei a te escrever e a sentir a falta dos teus escritos, nunca se me apresentou melhor ocasião de comércio epistolar que agora, que um servo de Deus, ministro fidelíssimo e caríssimo para mim, vai levar para ti minha carta. Trata-se do diácono Cipriano. Por ele, espero a tua missiva com tal segurança que não cabe maior nesta linhagem de relações. Isso porque não faltará ao nosso mencionado filho
[
Nec studium in petendis [rescriptis]
nem solicitude para pedir
a resposta
Nec gratia in promerendis
nem graça para merecê-la
Nec diligentia in custodiendis
nem diligência para custodiá-la
Nec alacritas in perferendis
nem agilidade para trazê-la
Nec fide in reddendis
nem fidelidade para entregá-la

]
Ele continua:

“Te enviei duas cartas e não recebi nenhuma tua. Decidi, pois, enviá-las de novo, acreditando que não tenham chegado. Se chegaram, e talvez sejam mais as tuas que não chegaram a mim, manda-me de novo os escritos que me enviaste, se por ventura os tem em reserva”.

Enviei uma carta pelo irmão Profuturo. Não pode levá-la, porque enquanto se preparava para partir foi proclamado Bispo e morreu pouco tempo depois”. 





[Aguarde a resposta de São Jerônimo...]

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Bíblia: textos selvagens

É importante lembrar que a Bíblia não nasceu como fonte de doutrina, mas como textos meio selvagens que vão sendo domesticados pela nossa leitura. Isso nos permitirá abordar esta obra sem um olhar estritamente teológico mas com a atenção voltada para uma análise literária. Pensamos que esta forma de ler a Bíblia possibilitará não poucas aproximações relevantes aos diversos estudos culturais por se tratar de uma janela que proporá o diálogo, a interdisciplinaridade e o peculiar interesse dos leitores e leitoras em textos que recebem novas luzes ao serem abordados com ferramentas seculares de interpretação. Faz-se necessário, ainda, acenar para o fato de que a Bíblia constantemente se relê, se re-interpreta e se recoloca nos diversos cenários sócio-culturais que lhe são comuns. Isso denota uma tradição que legitima, dialoga e re-aproveita textos e temas ao longo das duas grandes partes da Bíblia, isto é, Primeiro e Segundo Testamentos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Teologia


Em todo trabalho: talento!
Em toda tarefa: tranquilidade!
Em toda teologia: ternura!
Em todo tempo: tenda!
Em toda terra: tempero!
Em tudo: transparência!

“O Meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho!”
Jo 5,17