sábado, 12 de maio de 2012

Uma bibliografia para introdução à Bíblia

APÓCRIFOS I, II, III. Os Proscritos da Bíblia. São Paulo: Mercuryo, 1991-1995.
BRIGHT, J. História de Israel. 6a Ed. São Paulo: Paulus, 1980
CHARPENTIER, E. Para ler o Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1986.
GASS. I. B. Uma introdução à Bíblia. São Leopoldo: CEBI - São Paulo: Paulus, 2002.
GOTTWALD, N.K. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. São Paulo: Paulus, 1988.
GRADL, F. – STENDEBACH, F.J. Israel e seu DeusGuia de Leitura para o Antigo Testamento. São Paulo, Loyola, 2001.
HARRINGTON, W. J. Chave para a Bíblia. São Paulo: Paulinas, 1985.
KÜMMEL, W.G. Introdução ao Novo Testamento. Paulinas, 1982.
___________ Síntese Teológica do Novo Testamento. Paulus/Teológica, 2003.
LUIS SICRE, J. Introdução ao Antigo Testamento. Petrópolis: Vozes, 1999.
PAUL, A. O que é o Intertestamento. São Paulo: Paulus, 1981.
ROWLEY, H. H. A importância da literatura apocalíptica. São Paulo: Paulus, 1980.
RUSSEL, D.S. Desvelamento Divino. São Paulo: Paulus, 1997.
TASSIN, C. O Judaísmo do Exílio ao tempo de Jesus. São Paulo, 1988.
VV.AA. Escritos do Oriente Antigo e fontes bíblicas. São Paulo: Paulinas, 1992.
WOLFF, H.W. Bíblia, Antigo TestamentoIntrodução aos escritos e aos métodos de estudo. São Paulo, Paulinas, 3a ed, 1978.

terça-feira, 8 de maio de 2012

El Lazarillo de Tormes



Es una obra anónima, ha sido publicada en 1554. Pasase en la región de Extremadura. Es toda escrita en primera persona y tiene colores muy vivas. Así, prende el lector con mucha facilidad. Es bueno leer la obra y acompañar las descripciones del autor.

El libro cuenta la historia de Lázaro, un niño que nació en el Rio Tormes y, por eso, su apellido. Su vida es una vida de mala suerte. Su padre fue preso y después desapareció. Su madre, muy pobre, ha entregado Lázaro para un hombre ciego como su guía. Es cuando empezó su vida de dificultades.

Aún joven sale con el ciego por el mundo y sufre las peores desgracias. La más presente es el hambre.

Tras dejar el ciego va a servir un cura muy malo que también le niega comida. Sufre todas las desgracias con el y después va a ser servo de un escudero. Ni es necesario decir que el escudero también le trae cosas malas. Pero, sin embargo, el escudero no es malo, pero es un hombre que no quiere que las personas miren que es pobre y vive una vida de engaño. Al punto de Lázaro tener que coger o que comer para si y para el escudero.

Después ha ido vivir con un fraile que andaba mucho y Lázaro o dejó. Cosas chistosas acontecerán cuando Lázaro vivió con un buldero (hombre encargado de vender las “bulas”, documentos do papa que daban permiso para no respetar algunas de sus prohibiciones).

Este no ha sido su último trabajo ya que después ha trabajado con otro cura, con un aguacil y, entonces, se cambió en un pregonero. Cuando tenia dinero bastante, Lázaro se casó alcanzando buena suerte.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Livros da História de Israel

Temores e esperanças que vêm do passado

Josué
Juízes
Rute
1 e 2 Samuel
1 e 2 Reis
1 e 2 Crônicas
Esdras
Neemias
Tobias
Judite
Ester
1 e 2 Macabeus

Um primeiro e necessário exercício é investigar o que se pensa quando se diz em histórico ou história. Quando se olha para Bíblia, “nenhum dos conceitos da história propostos pelos estudiosos modernos pode ser aplicado” . Este elemento gera um certo desconforto ao leitor acostumado com a precisão de fatos históricos. Outro ponto a ser considerado, ainda, é que não se trata de uma memória geral, mas significativa apenas para um grupo unitário e que adquire certa continuidade.

Algumas formas de textos do Antigo Oriente próximo: Mesopotâmia (documentos econômicos e administrativos, coleções jurídicas e documentos civis, cartas, mitos, contos e romances, listas, inscrições que relatam feitos de reis [construções e guerras], anais, registros estatísticos anuais reunidos em crônicas [relatórios sumários de reinos e períodos mais longos]); Egito (inscrições reais, anais, mitos, contos e romances, inscrições biográficas de cidadãos particulares, geralmente homens que tenham desempenhado cargo político ou sacerdotal) .

Israel, no entanto, ultrapassa estas civilizações em “consciência histórica”. Aqui entra o importante conceito de tradição oral. Ele é anterior ao escrito e podem ser reconhecidas, nas formas escritas, as formas originais que, em última análise, são orais. Importa lembrar que esta forma oral é eminentemente popular (livre, autônoma, viva, interpretativa, criativa, pode omitir, alterar, acrescentar).

Os profetas são divididos em duas categorias: anteriores e posteriores. Isso significa ordem de coleção de escritos. Os primeiros, pelo séc. V aC, os outros pelos fins do séc. IV aC. Os anteriores estão dentro do corpus dos livros históricos: Josué a Reis (sem Rute). Esta seqüência é chamada, também, de “historiografia deuteronomista”. Seu principal enfoque é a atuação e mensagem dos profetas fazendo com que tenham o primeiro plano das narrativas e atenção deste bloco. Nisso precedem os reis e chefes do povo (Dt 18,15). Os reis vêm em segundo lugar sob o protótipo de Davi (Dt 17,15). O terceiro foco é a terra (Dt 15,4-11) . A história deuteronomista se baseia nos princípios teológicos do Deuteronômio. As linhas gerais podem ser rapidamente esboçadas no que se segue :

- história entendida como realização da palavra de Deus anunciada pelos profetas;

- assim, é o cumprimento das palavras de Moisés;

- a questão: Israel é ainda povo de Deus?;

É difícil, no entanto, delinear o que esta obra quer dizer aos seus contemporâneos no séc. VI. Sobretudo aos exilados sem terra e sem rei. Parece que aquilo que para o Dt era apenas possibilidade, agora é fato consumado. E isso parece dever ser interpretado como juízo divino.

É bom ler:

MAcKENZIE, John. L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1984.

KONINGS, Johan. “A Historiografia de Israel nos livros históricos”. REVISTA ESTUDOS BÍBLICOS n. 71 (2001).

BRUEGGEMANN, Walter; WOLFF, Hans Walter. O Dinamismo das Tradições do Antigo Testamento.São Paulo: Paulinas, 1984.

sábado, 21 de abril de 2012

Estive lendo São Marcos e descobri...

Quais os discípulos destacados?

A lista dos doze é apresentada por Marcos em 3,16-19 da seguinte forma:

"Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu." (Tradução de João Ferreira de Almeida)

Os três primeiros são mencionados juntos e têm em comum a mudança de nome. Os cinco seguintes não trazem particularidades. Já os quatro últimos tem destaques para três em particular: filho de Alfeu, zelota e traidor. Assim:
Simão Pedro
Tiago (Zebedeu)
João (Zebedeu) André

Filipe
Bartolomeu
Mateus
Tomé

Tiago (Alfeu)
Tadeu
Simão (zelota)
Judas

É fora de dúvida que o discípulo mais destacado é Pedro, com pelo menos 19 ocorrências do seu nome no evangelho. É citado em algumas relevantes passagens seguido dos dois irmãos Tiago e João (note que é como aparece na lista): 5,37; 9,2; 13,3 (mais André); 14,33. Se passarmos em revista as ocorrências, veremos que são muito interessantes: o episódio da filha de Jairo; a transfiguração; o anúncio escatológico e o Getsêmani. Essas ocorrências se situam a partir da lista dos doze. Antes dela, encontramos, no c. 1, o chamado dos 4 primeiros onde Pedro ainda é conhecido por Simão. Disso posso concluir que, dos doze, não mais que cinco (menos de 50% deles) são destacados pelo evangelista e aparecem mais de uma vez: Pedro, Tiago e João, André, Judas Iscariotes, que no contexto da paixão, sempre é denominado com a expressão “um dos doze” (imitado somente por Mateus e uma única vez [26,47]).

Quais são mencionados uma única vez?

Tomé aparece somente na lista (veja-se Mt e Lc. Somente Jo dá maior destaque a este discípulo). O mesmo ocorre com o discípulo Mateus. É interessante, também, que Marcos dedique toda uma perícope para dizer do chamado de Levi, no entanto, não fica claro que seja Mateus se se lê somente sua narrativa (2,13-17). Mais curioso ainda, é o fato de que ele diz que Levi é o de Alfeu e, na lista, esta designação é feita a Tiago (3,18). O Tiago de Alfeu parece ser, também, mencionado uma única vez e só na lista. As ocorrências mais difíceis sobre ele carecem de olhar mais atento (15,40 e 16,1). A meu ver, a nota da Bíblia de Jerusalém sobre Mc 15,40 precisa ser corrigida. Simão, o zelota está na mesma situação. Não me parece que o mencionado em 6,3 seja o mesmo. Isso se aplica ao de nome Tadeu.

Outras coisas

Brow afirma que “o autor de Marcos descreve os membros dos doze, e especificamente Pedro, como não entendendo Jesus nem a necessidade de ele sofrer (8,17-21.27-33; 9,6.32; 14,37).” Ele argumenta que é possível ver na narrativa do evangelista uma preocupação com o pensamento de sua própria comunidade que não consegue vislumbrar a cruz como elemento integrante do ministério de Jesus. Disto decorre, ainda segundo Brow, que a própria compreensão dos discípulos poderia apontar para um cristianismo estranho pregado após a ressurreição: “os doze que afirmavam terem sido testemunhas dos milagres e de Jesus Ressuscitado, pregaram uma cristologia que se baseava no miraculoso e negligenciava a cruz?” Isso faz pensar muito, uma vez que, aceitando a possibilidade de Marcos 16,9ss ser acréscimo tardio, Marcos não narra aparição aos onze.

Noto que seria bom observar alguns pontos teológicos à luz desta tese: no que se refere à fé, em Marcos, ela não aparece como ponto muito positivo com relação aos discípulos. Em 4,40 o tom é ameaçador e indica a falta da mesma. Já em 11,22 tem caráter exortativo convidando a se ter fé. As outras aparições do termo (pistin) não se refere aos discípulos.

Outras coisas mais

Imagino que as questões que, eventualmente, possam ser levantadas por estes dois pontos possam ter relevância para uma teologia da missão e do discipulado em Marcos. Embora eu verifique que Marcos não apresente Jesus falando especificamente aos doze, mas “aos discípulos” pode-se entender que eles, pelo menos, estariam como ouvintes junto a este grupo maior (veja a meu favor, 4,10). Mesmo assim, preciso considerar 3,14 como programa que se estende ao evangelho inteiro (por ex. 6,7).

BROWN. Raymond. A Comunidade do Discípulo Amado. São Paulo, 1984, p.16.

O mesmo autor cita, ainda, um estudo interessante: E. BEST. “The Role of the Disciples in Mark”. NTS 23 (1967-77), 377-401.

Por ora é isso! Tem muito mais coisas, mas o tempo é curto!

Abraços a todos e todas!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Decálogo

por Gianfranco Ravasi

Decálogo” é o termo grego usado para definir aquelas “dez palavras” fundamentais que regem a moral bíblica, mas que contêm também os valores éticos gerais e naturais. Claro que o fato que essas “palavras” sejam Palavra de Deus comunicada sobre o Sinai, o monte da Aliança entre o Senhor e Israel, dá ao decálogo uma qualidade religiosa radical, confirmada sobretudo pelo primeiro mandamento que tem três fórmulas: teológica (Não terás outros deuses…), pastoral (Não farás para ti ídolos nem alguma imagem…) e litúrgica (Não ti prostrarás diante deles e nem lhes servirás).

A sequência dos preceitos contem imperativos diretos e negativos, tais como: “não faças!”. Na verdade, este é um modo para sublinhar também o conteúdo positivo que essas leis possuem e assim podemos ver a moral bíblica não unicamente como uma ética do proibido.

Poderíamos comentar o primeiro mandamento, sobre o qual todos os outros se apoiam, com as palavras do “Shemah”, o “Ouve”, a profissão de fé que todo judeu tem dentro de si: "Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh. Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Deuteronômio 6,4-5).

O segundo mandamento - não pronunciar em vão o nome do Senhor teu Deus - é mais do que a blasfêmia e condena a idolatria, sendo o ídolo uma coisa “vã”. Rejeita-se, assim, toda degeneração religiosa. O sábado, terceiro mandamento, é o oásis espiritual do culto, no meio do período ferial: através dele se entra no repouso divino, a eternidade, e se descobre a harmonia com a criação e se exalta a liberdade. O quarto mandamento é a essência da vida social; isso é provado pela bênção que segue: no pai e na mãe, que são os fundamentos da família, espelham-se todas as relações sociais.

O “não matar” presente no quinto mandamento celebra, de modo positivo, o direito à vida. É claro que no Antigo Testamento existem excessões reguladas pela lei do Talião ou pelo “anátema”, o massacre sagrado, ou pelo pena capital. Será Cristo que recordará a radicalidade autêntica desse mandamento (veja-se Mateus 5,21-22).

O “não cometer adultério”, sexto mandamento, sublinha o direito ao matrimônio e propõe um uso humano e correto da sexualidade.

O sétimo mandamento não só preserva o direito à propriedade, mas fala da liberdade pessoal. De fato, o “não roubar” tem a intenção de proibir o saque com o consequente sequestro de pessoas.

A verdade, principalmente em âmbito processual, fundamental numa sociedade de tipo oral, é o objeto do oitavo mandamento, que ataca a “falsos testemunhos” nos processos.

Os dois últimos mandamentos acenam ao direito da propriedade familiar: entre os bens (casa, escravos, bois, burros) é colocada também a mulher, considerada, numa sociedade patriarcal e machista, um tesouro não só em sentido afetivo, mas também como produtora de filhos.

É este o sentido da incarnação da Palavra de Deus que não nos deixa esquecer os valores intrínsicos a fórmulas que muitas vezes são vinculadas a épocas históricas determinadas. O décalogo permanece, de qualquer forma, como dizia o próprio Lutero, o melhor espelho no qual você pode ver aquilo que lhe falta e aquilo que deve buscar.

Gianfranco Ravasi (Merate, 18 ottobre 1942) foi criado Cardeal da Igreja Católica em 2010. Famoso teólogo italiano, biblista, hebraísta e arqueólogo. Assista a um vídeo onde ele recita a oração do Pai Nosso em hebraico.