sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Êxodo no Novo Testamento - conclusões


É inegável a força evocadora dos eventos exodais na configuração da Bíblia Hebraica e em suas releituras. Estes elementos, no entanto, não aparecem somente em nível literário, mas subjacente aos campos semânticos e idéias mais comuns nos diversos corpora do Primeiro Testamento.

Os textos mais antigos dos profetas recuperam essas temáticas e as adaptam ao contexto histórico de mudanças e crises pelos quais passam os profetas e, sobretudo, no século VIII. Nota-se em alguns desses profetas elementos que ampliam e re-colocam imagens e temas do êxodo sob novas luzes.

A literatura Sapiencial, embora não desenvolva temas como Aliança e Libertação, não deixa de atentar-se aos pontos importantes da relação entre o povo de Israel e seu Deus. Isso aparece muito fortemente nos temas que tocam a idolatria e o afastamento dos ensinamentos e Sabedoria divinos que geram a prisão e o declínio da vida humana.

Os ensinamentos de Jesus e suas obras apontam com muita clareza sua dependência destes eventos fundantes da história do povo Antigo. Ele recupera a “Lei de Moisés” como ponto de apoio para suas pregações e ações evocando sua força e autoridade no trato das relações humanas e abrindo os olhos de seus contemporâneos para suas atitudes libertadoras.

No que tange aos elementos literários, a dependência dos autores sagrados neotestamentários se faz notar não em poucos lugares – às vezes explícita, às vezes implicitamente – no decurso de sua elaboração teológica do significado da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Vale re-ler Paulo em suas exegeses do Antigo Testamento e, sobretudo, na relação que sugere em 1Cor 10.

No que se refere aos Evangelhos, uma das principais teologias de fundo é a relação da configuração pascal no sangue do cordeiro que evoca de modo brilhante a Antiga Aliança exodal. De Mateus ao Apocalipse, a nova comunidade cristã fundada na fé pascal é parte consagrada e povo eleito para os bens da Nova Aliança no Sangue do Senhor. Tal é assim que o contexto da Páscoa de Jesus no decurso da páscoa judaica é visto e aceito pelo próprio Senhor como elemento norteador aos discípulos desorientados pelo escândalo da cruz.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Estrangeiros, quem?



Este cartaz está circulando na Espanha! Vale a pena refletir sobre ele!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Estudos no livro do Profeta Jeremias.

Pansutti, Francisco Acácio. O vaso do oleiro a cerâmica como auxílio à exegese. Vox Scripturae Vol./No. 5/2 (1995), p. 155-162.


Croatto, José Severino. Da aliança rompida (Sinai) à aliança nova e eterna Jeremias 11-20 + 30-33. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana Vol./No. 35/36 (2000), p. 97-108.


Kilpp, Nelson. Jeremias escreve aos exilados a dimensão crítica do anúncio profético de salvação. Estudos Teológicos Vol./No. 88A (1988), p. 9-20.


Sousa, Agabo Borges de. O "Povo da Terra" no livro de Jeremias. Estudos Bíblicos n. 44 (1994), p. 53-58.


Sousa, Ágabo Borges. O significado do verbo "plantar" no livro de Jeremias Iahwe como agricultor. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana Vol./No. 24 (1996), p. 27-37.


PIXLEY, Jorge. El pleito de Jeremías con Dios. In: Xilotl - Revista Nicaragüense de Teología. Seminario Teológico Bautista - STB - Centro Intereclesial de Estudios Teológicos y Sociales - CIEETS - Uni, Managua, Nicarágua, 2001. v.14, n.27, p.45-60.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O lado da escrita


Para Foucault, na sua primeira forma dada aos homens, ao que ele alude ser antes de Babel e cita como exemplo a nomeação dos animais, a linguagem era um sinal das coisas absolutamente certo. Dessa forma seria possível ver em cada ser o que ele mesmo transparentemente inspirava: a força no leão, a realeza na águia, a influencia dos planetas sobre os homens. No entanto, essa transparência foi perdida em Babel e somente foi conservado um vestígio dela na língua hebraica. O autor diz que é possível revelar isso em alguns casos particulares, como por exemplo: cavalo (sus: derivado de hasas, educar-se) já que dos animais de quatro patas o cavalo é o único altivo e bravo. Depois, a cegonha (chasida: bondosa, caridosa, dotada de piedade) por causa de sua bondade com seus pais.

Escrevem da direita para a esquerda: hebreus, cananeus, samaritanos, caldeus, sírios, egípcios, púnicos, persas, tártaros e outros. Eles seguem o curso do primeiro céu, aproximando-se da unidade, como diria Aristóteles. Escrevem da esquerda para a direita: gregos, latinos, maronitas e todos os europeus. É o movimento do segundo céu seguindo o curso dos planetas. Escrevem de cima para baixo: chineses, indianos e japoneses. É a ordem da natureza que coloca a cabeça do homem acima e os pés abaixo. Os mexicanos escrevem de baixo para cima ou em linhas espirais como o percurso do sol no zodíaco.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Lisboa: Portugália Editora, 1966.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O evangelho de São João


Atribui-se sua autoria ao filho de Zebedeu e irmão de Tiago que o teria escrito, em idade avançada, na cidade de Éfeso. Uma proposta de divisão do evangelho consiste em olhá-lo de modo bipartido: a atividade de Jesus no mundo (1,19-12,50) e o seu retorno ao Pai (13,1-20,29).

Há, também, um prólogo (1,1-18) e um suplemento (c.21). Para Dodd, podemos chamar a primeira parte de “livro dos sinais” e a segunda de “livro da paixão”. O autor vê este último livro construído sobre um modelo amplamente semelhante ao de cada episódio individual do livro dos sinais. Assim, os sinais seriam: 2,11; 4,46; 5,16; 6,14; 6,16; 9,16;11,47.

A chave dos sinais é uma, apenas, com a qual podemos ler o livro de João. Existem outras, como por exemplo, a chave da hora. Esta não é uma hora em sentido cronológico. Indica qualidade de tempo e não quantidade. É bom ver: 2,4; 7,30; 8,20; 12,23.27; 17,1.

Uma outra é a chave das festas judaicas que colocam Jesus na linha da tradição. As festas servem de enquadramento para o ministério de Jesus (moldura). O episódio programático é Caná (2,1ss). A festa abre a ação de Jesus. O episódio culminante é a páscoa da cruz (c.19).

As festas servem de explicitação do ministério de Jesus. Em João, encontramos pelo menos três páscoas que Jesus celebrou: 2,13.23; 5,1; 6,1-5; 11,56ss. Outras festas podem ser vistas no c.7,2.37-39 (tabernáculos) e em 10,22 (dedicação).