Continuando o diálogo com o amigo Rodrigo Alvim, achei por bem publicar estas reflexões. Nos últimos anos, a experiência de sala de aula tem me feito colocar algumas questões. Devo dizer, no entanto, que não só a experiência de sala de aula, mas o trabalho junto às comunidades em cursos de introdução e estudo mais aprofundado sobre a Bíblia. É imperativo, para lucro das linhas que se seguirão, fazer algumas destas perguntas que rondam minha mente, como um espectro, de tempos em tempos: o que se entende quando se fala em Bíblia? Qual a compreensão subjacente ao ato de se abrir estas páginas numa leitura acadêmica ou litúrgica? Qual o peso que se dá à questão de autoria dos textos bíblicos? Em que medida se leva em conta o sitz im leben (lugar existencial) destes textos bem como a cultura e a geografia nas quais eles estão mergulhados? Qual a relação entre Bíblia e Literatura? Por que razão ainda há desconforto no que tange ao trato sobre a relação entre Antigo e Novo Testamentos?

Estas são as primeiras pontas de iceberg que aparecem neste oceano. No entanto, outras aparecerão à medida que nossa embarcação avançar em águas mais profundas. Creio que uma das marcas deste ensaio seja a deficiência de suas linhas mas, ainda assim, é melhor que nada.
Sem elaborar nenhum critério de resposta mas escrevendo livremente sobre o que foi colocado acima creio que a questão de autoria ainda bate fortemente quando se aborda o texto bíblico. Significa dizer que muitas pessoas se preocupam com o fato de o texto ser escrito por esse ou por aquele autor que, se contradito, poderiam vir a perder sua fé. Já há muito nenhuma pesquisa séria defende a tradicional atribuição da Torah a Moisés, a Sabedoria a Salomão e os Salmos a Davi. Isso porque já se entende que eles podem estar no fundo como patrocinadores destas obras, mas dificilmente como autores da forma como hoje se entende um autor. Parece haver um desconhecimento – e tomo os evangelhos como exemplos – que por detrás de cada nome (Mateus, Marcos, Lucas e João) existe um vulto muito grande de testemunhas e vozes que, não raro, soam dissonantes na superfície do(s) relato(s) recebido(s).
Parece haver uma cobrança algo exagerada como se a pena destes escritos fosse umedecida num único tinteiro. Desconhece-se o processo formativo dos textos, os relatos de viagem, os testemunhos recebidos e que, nem sempre, são coerentes. A contradição é possível porque é plural o número de vozes por detrás das narrativas. Para olhar superficialmente, basta notar que cinquenta por cento dos evangelistas contam a infância de Jesus (Mateus e Lucas) e os outros cinquenta iniciam a narrativa já com seu ministério (Marcos e João). Então fica bastante claro que esta é uma questão deveras relativa para ocupar tão fortemente algumas acaloradas discussões. Com isso não estou dizendo que são “menos” evangelho, mas chamo a atenção para o fato de que estas narrativas (as da infância) não são, também, uma pregação de Jesus.

Estas são as primeiras pontas de iceberg que aparecem neste oceano. No entanto, outras aparecerão à medida que nossa embarcação avançar em águas mais profundas. Creio que uma das marcas deste ensaio seja a deficiência de suas linhas mas, ainda assim, é melhor que nada.
Sem elaborar nenhum critério de resposta mas escrevendo livremente sobre o que foi colocado acima creio que a questão de autoria ainda bate fortemente quando se aborda o texto bíblico. Significa dizer que muitas pessoas se preocupam com o fato de o texto ser escrito por esse ou por aquele autor que, se contradito, poderiam vir a perder sua fé. Já há muito nenhuma pesquisa séria defende a tradicional atribuição da Torah a Moisés, a Sabedoria a Salomão e os Salmos a Davi. Isso porque já se entende que eles podem estar no fundo como patrocinadores destas obras, mas dificilmente como autores da forma como hoje se entende um autor. Parece haver um desconhecimento – e tomo os evangelhos como exemplos – que por detrás de cada nome (Mateus, Marcos, Lucas e João) existe um vulto muito grande de testemunhas e vozes que, não raro, soam dissonantes na superfície do(s) relato(s) recebido(s).
Parece haver uma cobrança algo exagerada como se a pena destes escritos fosse umedecida num único tinteiro. Desconhece-se o processo formativo dos textos, os relatos de viagem, os testemunhos recebidos e que, nem sempre, são coerentes. A contradição é possível porque é plural o número de vozes por detrás das narrativas. Para olhar superficialmente, basta notar que cinquenta por cento dos evangelistas contam a infância de Jesus (Mateus e Lucas) e os outros cinquenta iniciam a narrativa já com seu ministério (Marcos e João). Então fica bastante claro que esta é uma questão deveras relativa para ocupar tão fortemente algumas acaloradas discussões. Com isso não estou dizendo que são “menos” evangelho, mas chamo a atenção para o fato de que estas narrativas (as da infância) não são, também, uma pregação de Jesus.

