sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Teologia bíblica: algumas reflexões

Continuando o diálogo com o amigo Rodrigo Alvim, achei por bem publicar estas reflexões. Nos últimos anos, a experiência de sala de aula tem me feito colocar algumas questões. Devo dizer, no entanto, que não só a experiência de sala de aula, mas o trabalho junto às comunidades em cursos de introdução e estudo mais aprofundado sobre a Bíblia. É imperativo, para lucro das linhas que se seguirão, fazer algumas destas perguntas que rondam minha mente, como um espectro, de tempos em tempos: o que se entende quando se fala em Bíblia? Qual a compreensão subjacente ao ato de se abrir estas páginas numa leitura acadêmica ou litúrgica? Qual o peso que se dá à questão de autoria dos textos bíblicos? Em que medida se leva em conta o sitz im leben (lugar existencial) destes textos bem como a cultura e a geografia nas quais eles estão mergulhados? Qual a relação entre Bíblia e Literatura? Por que razão ainda há desconforto no que tange ao trato sobre a relação entre Antigo e Novo Testamentos?

Estas são as primeiras pontas de iceberg que aparecem neste oceano. No entanto, outras aparecerão à medida que nossa embarcação avançar em águas mais profundas. Creio que uma das marcas deste ensaio seja a deficiência de suas linhas mas, ainda assim, é melhor que nada.

Sem elaborar nenhum critério de resposta mas escrevendo livremente sobre o que foi colocado acima creio que a questão de autoria ainda bate fortemente quando se aborda o texto bíblico. Significa dizer que muitas pessoas se preocupam com o fato de o texto ser escrito por esse ou por aquele autor que, se contradito, poderiam vir a perder sua fé. Já há muito nenhuma pesquisa séria defende a tradicional atribuição da Torah a Moisés, a Sabedoria a Salomão e os Salmos a Davi. Isso porque já se entende que eles podem estar no fundo como patrocinadores destas obras, mas dificilmente como autores da forma como hoje se entende um autor. Parece haver um desconhecimento – e tomo os evangelhos como exemplos – que por detrás de cada nome (Mateus, Marcos, Lucas e João) existe um vulto muito grande de testemunhas e vozes que, não raro, soam dissonantes na superfície do(s) relato(s) recebido(s).

Parece haver uma cobrança algo exagerada como se a pena destes escritos fosse umedecida num único tinteiro. Desconhece-se o processo formativo dos textos, os relatos de viagem, os testemunhos recebidos e que, nem sempre, são coerentes. A contradição é possível porque é plural o número de vozes por detrás das narrativas. Para olhar superficialmente, basta notar que cinquenta por cento dos evangelistas contam a infância de Jesus (Mateus e Lucas) e os outros cinquenta iniciam a narrativa já com seu ministério (Marcos e João). Então fica bastante claro que esta é uma questão deveras relativa para ocupar tão fortemente algumas acaloradas discussões. Com isso não estou dizendo que são “menos” evangelho, mas chamo a atenção para o fato de que estas narrativas (as da infância) não são, também, uma pregação de Jesus.





quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diálogo II

Uma publicação de grande importância hermenêutica acaba de ser postada pelo Prof. Rodrigo Rodrigues. Agradeço a consideração e apreço às reflexões de Meus Rascunhus. Leia aqui!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os 3 menores livros da Bíblia

1. 2ª Carta de João (13 versículos)

2. Profeta Abdias ou Obadias (21 versículos)

3. Carta de Paulo a FiLêmon (22 versículos)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ao redor da loucura: uma reação ao “famoso” texto XXI

De descabidos caminhos contrários que nós, em nossas vidas, fazemos, a trilha do pensamento é, de fato, a que mais impressiona. Se penso algo e digo, depois, “onde foi que parei?”, a mente procura fazer o caminho inverso a fim de encontrar o fio da meada. Mas que caminho inverso é este que não percorre o que, às avessas, deveria percorrer? É assim que nos surpreendemos revendo o que foi pensado e descobrindo coisas e detalhes que não tiveram a devida atenção no curso do pensamento anterior. Enfim, seria possível descobrir, de fato, o fio primeiro da meada? Creio que não!

Nesses meandros do pensamento vai-se muito tempo gasto em refletir o sentido do pensar. Talvez tal tempo devesse, sempre que possível, ser ruminado a contento. Que bom seria, como disse Arthur Schopenhauer, se junto com os livros pudéssemos, também, comprar o tempo para lê-los! É por isso que o cotidiano absorve nossos melhores pensamentos e, aqueles que, com muita peleja (palavra duas vezes presente em seu texto, Rodrigo) conseguimos prender entre os dedos, ficam devendo àqueles que nos escaparam entre uma vigília e um amanhecer. Mas há casos, no entanto, que (creio eu) muito (senão o todo) desse pensamento conseguimos captar. Um exemplo? O texto XXI de Rodrigo Alvim. 

Se venho falando do pensamento e suas artimanhas, não quero contrapô-lo à loucura. Aqui, também, não se está escrevendo uma tese (por Deus – estamos num blog... gostei disso!) e o objetivo é nada mais que tentar apanhar algum pensamento que se nos está escapando. Claro está que, nesse próprio exercício, estão os dedos digitando e sabe-se que, das mãos à cabeça (ou vice-versa) há um abismo tamanho que não se pode transpor. Além disso, nesse caminho vertical sempre se encontra, no meio, um coração!

Descobri que a palavra loucura só existe em português e em espanhol (loco). Parece advir do árabe (tonto, bobo, tolo). Que surpresa agradável: todos somos assim! Se aprofundarmos no grego, há uma palavrinha curiosa e que faz (muito) parte do nosso supracitado cotidiano: mania. Isso mesmo, como dizia o Aurélio, ato ou efeito de ser louco ou demente. Mas isso quem diz é o Isidro Pereira, um linguista português. 

Enfim, não quero reescrever um outro texto para ler o seu texto, Rodrigo, mesmo porque seu texto é claro por si mesmo. No entanto, em se falando de clareza, claro está que perto de loucura sempre se fala de lucidez, obscuridade e sombra. Essas metáforas (que não poderiam existir antes do Fiat Lux), ainda povoam nossas mentes e, muito depois de nossa luz ter-se apagado, elas ainda vagarão pela terra até que se extingam completamente. Assim sendo, outros Nietzsche’s, Van Gogh’s e Estamira’s ainda caminham entre nós e nos encontramos todos continuamente, nos cumprimentando e desejando uns aos outros: bom dia!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Meus diálogos


Estou, nesses dias, dialogando com a Mayra Lopes que está publicando uma série de textos sobre os profetas. Comentei aqui e aqui. Também estou em diálogo com o Prof. Rodrigo Alvim que acaba de publicar um texto sobre a Loucura em Friedrich Wilhelm Nietzsche e Vincent Van Gogh.